quarta-feira, 28 de abril de 2010

Alívio dos nossos dias

Pequena Lina,
você não vai lembrar das coisas que vivemos nas últimas semanas, mas você foi peça fundamental numa longa história que finalizou (uma etapa) na última quinta-feira, 22 de abril de 2010. Você foi importante não apenas por dar continuidade a uma história de amor que passa de mãe para filha há gerações, mas também por me trazer paz e conforto em meio ao turbilhão de emoções.
Explico melhor. Sua bisa (que tanto quis te conhecer, brincar, presentear, rir das suas histórias) estava muito doente há alguns meses, mas tinha piorado muito nas últimas semanas. Nós acompanhávamos tudo à distância, mamãe sofria quieitinha com cada acontecimento relatado nas conversas por telefone com sua avó. Até que no sábado, dia 17, a tia Raquel Pessoa, amiga de infância da mamãe e do papai (ela foi quem nos apresentou) e geriatra da bisa, ligou pedindo que nós fôssemos a Fortaleza. Sua bisa tinha passado a madrugada chamando por nós duas. Sim, Lina, ela queria que nos ver e ela não tinha muito tempo. Mamãe não pensou duas vezes. Enfrentou 3 horas de avião sozinha depois de duas noites sem dormir porque você tinha um febrão que não cedia (dias depois se revelou que você estava com roséola). E lá permanecemos por uma semana.
Você não lembra da mamãe e da vovó tristezinhas porque ao seu lado tudo parecia tão menos pesado. Você nos fez rir com suas dancinhas, gritinhos e carinho. Em Fortaleza, sua madrinha te ensinou a trocar os dvds do aparelho, e você fazia isso tão orgulhosa e feliz. Em algumas tardes, buscando algum alívio, mamãe te levou para passear na Beira Mar. Lá, você viu os bichinhos do Trem da Alegria e enfrentou seu medo deles no colo do vovô.
Momentos antes da bisa partir, você não queria dormir. Estava tão agitada. Chorou quando mamãe insistia em te fazer tirar uma soneca na rede, mas foi boazinha e dormiu bastante tempo para deixar a mamãe cuidar da vovó que tão triste ficou quando a bisa finalmente descansou.
Ainda bem que você estava lá para cuidar da sua família, para nos fazer sorrir com as novidades, as suas tentativas de falar, as brincadeiras, dancinhas, os abraços. Você, filha, fez o nosso sofrimento mais leve e faz nossos dias mais felizes!

11 comentários:

Eu passarinho disse...

muito lindo bina!

Carol Rocha disse...

Linda mensagem Sabras...
A Marina tb teve um papel fundamental na doença da minha mãe, ela era nossa alegria, nosso sorriso entre lágrimas...
Essas pequenas tem um poder que nem imaginam :) o que seria de nós sem elas?

Carol Rocha disse...

Linda mensagem Sabras...
A Marina tb teve um papel fundamental na doença da minha mãe, ela era nossa alegria, nosso sorriso entre lágrimas...
Essas pequenas tem um poder que nem imaginam :) o que seria de nós sem elas?

Unknown disse...

Lindo, Sá!
É maravilhoso saber que a sua filhotinha trouxe tanta alegria para sua família num momento tão difícil.

Paloma Varón disse...

Ô, menina, que barra! Mas com certeza os filhos fazem estes sofrimentos ficarem mais leves. Que bom que vcs têm a Lina!
Beijos e fique bem!

Márcio Silveira disse...

Lina vai ficar feliz quando crescer e souber que foi alento neste momento de dor. Beijos.

Anônimo disse...

a vida só se renova... e o amor fica presente sempre...

Unknown disse...

Que lindo mesmo, Sabrina! Saudades...
Amo vocês!!! Bjos.

Lívia Salomoni disse...

Bina, meus olhos encheram d'água. Vocês são especiais. A cumplicidade entre mãe e filha é linda de se ver e de se sentir. E eu senti isso. BEIJOS! Seja feliz, que você merece!

Ceci disse...

Me fez chorar...espero que esteja melhorzinha ja...bjo

Mãe do Pitoco disse...

Muita ternura em sua carta. Força para vocês, viu? Aqui em casa tb estamos tentando nos recuperar da perda e saber que os pequenos retém informação de amor de todas as formas, ainda que não seja na memória, cada amor recebido contribui positivamente para a formação de sua personalidade. Um beijo em vcs duas e que Deus ilumine e receba sua vovó com todo carinho.