Pequena Lina,
você não vai lembrar das coisas que vivemos nas últimas semanas, mas você foi peça fundamental numa longa história que finalizou (uma etapa) na última quinta-feira, 22 de abril de 2010. Você foi importante não apenas por dar continuidade a uma história de amor que passa de mãe para filha há gerações, mas também por me trazer paz e conforto em meio ao turbilhão de emoções.
Explico melhor. Sua bisa (que tanto quis te conhecer, brincar, presentear, rir das suas histórias) estava muito doente há alguns meses, mas tinha piorado muito nas últimas semanas. Nós acompanhávamos tudo à distância, mamãe sofria quieitinha com cada acontecimento relatado nas conversas por telefone com sua avó. Até que no sábado, dia 17, a tia Raquel Pessoa, amiga de infância da mamãe e do papai (ela foi quem nos apresentou) e geriatra da bisa, ligou pedindo que nós fôssemos a Fortaleza. Sua bisa tinha passado a madrugada chamando por nós duas. Sim, Lina, ela queria que nos ver e ela não tinha muito tempo. Mamãe não pensou duas vezes. Enfrentou 3 horas de avião sozinha depois de duas noites sem dormir porque você tinha um febrão que não cedia (dias depois se revelou que você estava com roséola). E lá permanecemos por uma semana.
Você não lembra da mamãe e da vovó tristezinhas porque ao seu lado tudo parecia tão menos pesado. Você nos fez rir com suas dancinhas, gritinhos e carinho. Em Fortaleza, sua madrinha te ensinou a trocar os dvds do aparelho, e você fazia isso tão orgulhosa e feliz. Em algumas tardes, buscando algum alívio, mamãe te levou para passear na Beira Mar. Lá, você viu os bichinhos do Trem da Alegria e enfrentou seu medo deles no colo do vovô.
Momentos antes da bisa partir, você não queria dormir. Estava tão agitada. Chorou quando mamãe insistia em te fazer tirar uma soneca na rede, mas foi boazinha e dormiu bastante tempo para deixar a mamãe cuidar da vovó que tão triste ficou quando a bisa finalmente descansou.
Ainda bem que você estava lá para cuidar da sua família, para nos fazer sorrir com as novidades, as suas tentativas de falar, as brincadeiras, dancinhas, os abraços. Você, filha, fez o nosso sofrimento mais leve e faz nossos dias mais felizes!