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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Um passo de cada vez

A primeira semana na escolinha nova da Lina foi tranquila. Tranquila demais, eu diria! Fiquei na sala com ela apenas nos dois primeiros dias; no terceiro dia, fui para a cozinha com as outras mães, afastadas. Neste dia, a professora me chamou e confidenciou que Lina parecia muito tranquila, eu podia ir embora no dia seguinte. Isso foi muito bom pq eu precisava adiantar os preparativos do aniversário dela (muita correria, que fica para outro post). Respirei aliviada!
Mas desde ontem a situação mudou... o soninho depois do almoço chegou com força total e ela chegou muito cansada! Ela chorava agarrada no meu vestido, eu não esperava aquela cena logo na segunda semana. Entreguei a professora e fiquei rodeando a escola esperando notícias. 15 minutos depois a coordenadora ligou avisando que ela tinha dormido, eu podia pegá-la 1 hora depois. Me senti desamparada e assustada como ela. Teria tomado a decisão certa?
Hoje foi uma tarde de intensivão. Ela foi caindo de sono no carrinho (até achei que ela iria dormir no caminho) e começou a chorar já no portão da escolinha. A professora (diga-se de passagem, MARAVILHOSA) perguntou se eu poderia ficar ali mais umas horas. Perguntou se alguma coisa tinha mudado na rotina dela. Expliquei que a casa estava cheia por conta da festinha de aniversário, avós em casa, tias etc. Ela pediu que eu tivesse calma. Ela teria que (re) aprender a confiar na escolinha.
E assim, foi minha tarde. DO lado dela, brincando, assistindo, participando até que 2 horas depois ela me deixou sair para tomar café. Meia hora depois, soube que ela tinha dormido no colinho da assistente. Vim para casa, tomei banho e voltei. Esperei, esperei, esperei... até que ela apareceu tranquila no pátio, me chamando para participar da contação de história.
Assim, aprendi a dar um passo de cada vez... o processo continua!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Tempos de mudança

Hoje será o primeiro dia de Lina na nova escolinha e eu achei por bem registrar a ansiedade desta mãe que aqui escreve. Sim, estou bem nervosinha para uma mãe de segunda viagem... ooops, segunda escola!
Já escrevi aqui sobre a primeira adaptaçao dela, mas acho que esse ano vai ser diferente porque ela está mais consciente. Com exatos 1 ano de vida, ela foi tranquila deixando a mãe fora da sala e depois dos muros da escola. Hoje ela sabe o que quer, pede atenção, cobra com palavras.
O pai acha que a mãe está exagerando, ansiosa como é. Ele diz que a pequena é tão tranquila que vai gostar da nova escolinha tanto quanto gostava da outra. Enfim... vamos ver no que vai dar. Aguardem cenas do próximo capítulo.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A elefanta rosa e a crise da mamãe

Ela dança como a elefanta, ela canta a música da elefanta, ela ficou desesperadametne feliz quando encontrou a elefanta no Parque. Sim, Biiiilabiluu é a nova rainha da casa.
Você não sabe quem é? Eu também não sabia até minha "querida" irmã apresentá-la à Lina.
Biiiiiilabiluu é a elefantinha rosa, personagem criada pela equipe da Txutxa, que dança desengonçadamente com as crianças. Ela conquistou a Lina e criou um crise existencial gigante nessa mãe que vos escreve.
Sim, porque eu sempre jurei que meus filhos nunca, repito NUNCA, iriam assistir os dvds da Txutxa. Mas Lina se apaixonou à primeira vista quando a tia mostrou os clipes ainda no youtube.
A situação se mostrou grave quando fomos às Lojas Americanas perto daqui de casa. Caminhando e cantando até a loja para comprar sorvete, quando a mocinha se dirigiu até a região dos dvds. Eu, inocente, procuro um dvd do Cocoricó, enquanto ela se agarra com o dvd da Txutxa.
- Mamãe, a Txutxa!
- Filha, deixa ai. Tem aqui o Cocoricó!
- Qué a Txutxa!
- Não, filha. A Txutxa é chata!
- Não, a Txutxa é linda!
E insistiu, se agarrou ao dvd, implorou e me dobrou... levei para casa.

Na sexta-feira, Daniel chega em casa e eu estou em crise.

- Como assim ela gosta do dvd da Txutxa. Onde foi que eu errei?

- Mô, ela não gosta do dvd da Txutxa. Ela adora. Nunca vi ela se animar tanto, dançar tanto e ficar tão feliz assistindo algo. Não tem nada parecido. Desencana e acha bonitinho ela imitar a elefanta!

E assim, a canção chiclete ecoa na casa e eu aprendo mais uma vez que ser mãe é isso: nunca dizer NUNCA!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Nome e sobrenome

Decido que está na hora de ensinar a Lina seu sobrenome. Costa é o paterno e mais fácil do que o meu.
- Filha, como é o seu nome?
-Lina (mas ela ainda procuncia alguma coisa perto de Nina).
- Lina o quê?
- Lina bebê.
- Não, filha. Lina Costa.
Silêncio. Minutos depois, tento de novo.
- Filha, como é o seu nome?
-Lina.
- Lina o quê?
- Lina cabrita.
E ponto. Nada de Lina Costa.
Para os desinformados, Lina cabrita era o jeito que eu a chamava quando era pequena, e ainda chamo quando quero fazer denguinho. Mas é só entre nós duas, ta?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Mamãe doutora!

Agora estamos definitivamente livres do doutorado. Mamãe defendeu a tese na segunda-feira. Tudo deu muito certo, mamãe ainda está de ressaca de tanto cansaço e tensão acumuladas. Lina ganhou de presente não só uma mãe (um pouco) mais tranquila como também vários dias com toda família por perto. Sim, por que vcs sabem como é família cearense, ne? Participam, torcem, choram, sofrem e festejam (e muito!!!) cada momento. Estiveram aqui vovô, vovós, titios, titias, dinda e um monte de gente querida acompanhar os momentos de tortura da mamãe frente a uma banca de 5 professores... mas, passou, passou! E depois foi só festa!
Durante as mais de 4 horas de defesa, Lina ficou em casa. Depois o tio Victor foi pegá-la para dar um abração na mamãe. Mamãe ficou toda orgulhosa porque todos lembravam o quanto era difícil finalizar um doutorado em quatro anos e mais difícil ainda com uma bebezinha. E foi para ela que dediquei a tese: "para minha querida Lina". Claro que papai ganhou um agradecimento especial, mas ela merecia uma dedicatória por tantas horas roubadas, tantos momentos que a mamãe poderia ter curtido descansada, por tanta angústia que presenciou nos momentos finais. Mas, acabou, e acabou bem!
Lina brilhou na comemoração. De vestido preto de bolinhas, sapato vermelho e muitos cachos dourados, ela correu, pulou, sorriu, cantou e distribuiu beijos. Eu estava mais orgulhosa dela ali tão feliz e faceira do que da tese defendida. Agora, mamãe sai de férias merecidas (por aqui mesmo) e em busca de novos caminhos!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Lina e os sapatos da mamãe


Achei que fosse demorar mais para ver essa cena.
Definitivamente a bebezinha foi embora e deixou uma menina doce e danada (que calça os sapatos da mamãe e sai andando pela casa).
Hoje chegou um casaco que eu havia deixado na lavanderia. Ela teimou em vesti-lo e saiu exibida mostrando para a babá.
Ela também adora meus colares e pulseiras. Coloca vários, desfila, olha-se no espelho e se acha linda.
E é linda mesmo essa Lina!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

voltando devagar...

Cof cof cof...
Esse lugar está cheio de teias de aranha! Nunca mais escrevi aqui, mas por um bom motivo: Final da tese. Foi duro, doloroso, mas está entregue! Ficou lindo e eu me orgulho de verdade do resultado final. Muita gente ajudou na revisão, na montagem, nos cuidados com a Lina e depois eu falo mais sobre todo processo de redação com uma bebê ao lado.
Mas, por enquanto, devo confessar um certo "abuso" (como eu diria no Ceará) da internet. Preguiça de sentar na frente da tela de novo. Vontade de aproveitar as horas ao lado de Lina, com os amigos, pelas ruas... deve passar.
Esse post foi só para avisar de que está tudo bem (tudo ótimo!) e de que em breve voltaremos a nossa programação normal!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ela sabe o que quer

Ela avisa que não quer manga, mas quer "fuco" de manga e não tem quem faça ela comer. Ela quer assistir o dvd do "auauai" (cachorro) e não o do macaco. Não tente confundi-la, vc não vai conseguir, ela agora sabe o que quer!
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Novas palavrinhas:
ufo = urso
fuco = suco
não = não (bem redondo)
totó = cocó = galinha
isa = luisa
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Mamãe gerando traumas
Ela entra no escritório e me puxa pela mão para dançar com ela. Explico que agora não posso, mamãe tem que acabar a tese. Essa desculpa repetidamente (inclusive nos sábados e domingos) me faz perguntar, em silêncio, se não vai gerar trauma na criança. De tanto ver a mãe rodeada de livros, anotações e descabelada, talvez ela decida ser hippie numa comunidade alternativa da Bahia sem ao menos ter se alfabetizado. Será?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A primeira birra...a gente nunca esquece!

Era noite de domingo, bebê cansada de tanto brincar. Tinha dormido pouco à tarde por conta dos compromissos sociais do papai e da mamãe. Assim, só podia se esperar que a menina estivesse caindo de sono antes da hora.
Mamãe não percebeu isso. Aliás, só percebeu quando já era tarde demais. Bebê fez o maior escândalo do mundo porque queria (de qualquer jeito) brincar de fazer bolhinhas de sabão no quarto. Não conseguiu, se irritou, molhou o chão. Mamãe toma o brinquedo para evitar o pior. Ai, o escândalo começa de verdade: bateu os pés e chorou. Chora muito, como se mamãe tivesse causado uma mágoa muito profunda, como se tivesse rompido com o primeiro futuro namorado, como se tivesse perdido a viagem dos sonhos... de maneira que seu rostinho fica vermelhor e completamente molhado de lágrimas. Oh, dó!!!
Papai aparece no quarto desesperado com o choro tão incomum da pequena. Sai com ela nos braços, mas de nada adianta. Ela agora chora sem nem saber o porquê. Com muito esforço, mamãe consegue distrai-la com o gavetão de brinquedos velhos, mas agora com histórias sobre eles. Mamãe faz graça e bebê esquece daquela birra. Mamãe antecipa o banho e bebê dorme feliz com dedinho da boca como se nada tivesse acontecido. Mas a mamãe aqui foi dormir cansada e triste!
Começou a fase das birras ou era só sono? Ou os dois? Em breve, cenas dos próximos capítulos...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Chimpanzé ou menina aranha?

Quando eu estava grávida de 8 meses tive um sonho terrível! Sonhei que eu entrava em trabalho de parto e corria para o hospital com Daniel. Lá, eu esperava pela minha querida médica e de repente, apagava. Quando eu acordava, tinha passado por uma cesárea e estava já no quarto. Eu insistia de que queria ver a Lina, conhecê-la, já que até então eu não tinha lembranças dela. Daniel me levava até o berçario e apontava o único bercinho ocupado: "aquela é nossa filha!".
Mas não, não podia ser. Lina não era um bebê, mas sim um pequeno CHIMPANZÉ!!! Sim, ela era um chimpanzezinho de fraldas com muitos, muitos, muitos pelos pretos pelo corpo. Eu pensava "Como assim um chimpanzé? eu pari um chimpanzé? não pode ser? como ninguém reparou nisso? tem alguma coisa errada" - pensava olhando o berçário.
Daniel perguntava se eu não queria entrar e segurá-la, eu olhava para ele e começava a chorar. Ou estava ficando louca enxergando minha filha de maneira atravessada ou loucos estavam todos ao meu redor. Ela ficava ali, de frente ao berçário, chorando e esperando minha médica obstetra até que eu finalmente acordei!
Eu havia esquecido completamente desse sonho até que ontem vi a Lina querendo escalar as grades do berço pelo lado de fora. Subiu direitinho e quase entrou, parecia uma menina aranha (acho que nem existe esse personagem). Eu não acreditava. Ela está escalando tudo: sofá, bancos, móveis, cama.
Eu brinquei com a babá que ela parecia uma macaquinha que sobe em qualquer lugar... macaquinha, macaco, chipanzé! Fui em busca do meu diário de gravidez, reli a história e pensei que isso daria um belo post sobre os sonhos mais loucos que as grávidas conseguem ter.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O outro filho: a tese

Esse fim de tese tem sido um sufoco. Não tenho fim de semana, feriado e muito pouco tempo de lazer. Até Daniel já conta as semanas para a entrega (enquanto eu tento de toda maneira pensar que o tempo é relativo e pode passar rápido para chegar logo o fim e curtir novamente a vida, mas lentamente para eu dar conta de todas as obrigações acadêmicas). Neste turbilhão, Lina, mais uma vez, me tira da dura realidade apresentando gracinhas do cotidiano que me encantam e tiram por alguns segundos deste mundo de fichamentos, palavras, imagens, mapas, revisões, ABNT! Um dia escreverei um post sobre o processo insano que é finalizar uma tese. Por enquanto, tento aqui explicar meu sumiço nesse blog que deveria registrar seu crescimento.
Nesta reta final, lembrei do texto de agradecimento de um belíssimo livro que me fez enxergar com outros olhos a relação dos filhos com os pais doutorandos.
"Ao meu filho João, que já suportou quatro teses na sua infância: as minhas e as do pai. Apesar do seu envolvimento com nosso trabalho, sei que não foi nada fácil para ele aguentar a mãe grudada no computador, esperar o término desta tese, entender o seu significado. em junho de 1996, aflito diante da minha demora para finalizá-la, propôs a seguinte solução: 'mãe, por que você não escreve assim: concluí que o Antônio Candido e os outros eram intelectuais, ponto final, e entrega a tese de doutorado?'. E foi o que fiz, um mês antes de seu aniversário de dez anos". (PONTES, Heloisa. Destinos Mistos. Os críticos do grupo Clima em São Paulo. 1940-1968. São Paulo, Companhia das Letras, 1998).
Definitivamente, dedicarei essa tese que nasce de um longo parto normal à minha pequena Lina, por todas as horas que lhe foram roubadas. Aguenta mais um pouco, pequena! Tá acabando...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Onde vai parar tanto amor?

Meu Deus, Lina está cada dia mais apaixonante. Não, não só sou eu, mãe coruja que acho. Amigas, a amigos, vizinhos, desconhecidos, todos andam encantados com a fofura dela. Ela também é uma conquistadora. Por onde passa agora dá tchauzinho, manda beijo, sorrisos. Até o pobre zelador do prédio, com quem ela implicava desde o nascimento (coitado, vivia tentando agradá-la, mas ela não queria papo, fazia bico para qualquer gesto dele), ganhou hoje um sorriso na portaria.
E cada dia ela desenvolve mais sua arte da sedução. Uma simples consulta de revisão vira um acontecimento com coraçõezinhos voando pelo ar. No consultório da pediatra, ela soltou um "miau" bem alto ao fim da música do "atirei o pau no gato". Até a médica começou a rir com a felicidade dela ao perceber que acertou a hora do "grand finale" e ficou toda derretida. No estacionamento, mandou beijos para a moça do caixa. Deu tchau para o manobrista.
Ai, ai, eu estou completamente apaixonada por ela e não sei onde tanto amor vai parar!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Mamãe dodói

Mãe não devia ficar doente nunca! Quem cuida do nenê se a mãe tá na cama, enrolada no edredon, com febre e calafrios, a garganta em frangalhos? Ai, não! Mãe deveria ter imunidade garantida até o filho (mais novo) alcançar 15 anos de idade, pelo menos.
Peguei a virose que Lina teve na semana passada. Acho que andei muito estressada com entrega de capítulo da tese, trabalhei demais, me alimentei mal. Para completar, no fim de semana, eu quase não dormi cuidando da bebê que tossindo muito e com nariz entupido, quase não descansou.
Resultado de tantos maus tratos ao meu organismo: dor no corpo, dor de cabeça, garganta inflamada - ontem a virose chegou com força total!
O pior é que ontem foi o dia que eu tinha reservado para vacinar a Lina. E ela teve um pouquinho de reação (chorinho à noite e febre baixinha). A nossa sorte foi ter a vovó Ana por perto. Assim, vovó cuidou da mamãe e da netinha.
Ainda bem que mãe tem mãe!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Salvou meu dia

Cheguei em casa depois de assistir uma defesa de tese que me lembrou o quanto é difícil apresentar sua produção acadêmica de 4 anos. Ainda tive que passar no supermercado. O trânsito estava terrível... mas, cheguei!
Fui recebida por uma menininha cheia de saudades e de amor para dar. Me puxava pela mão para o quarto, pedia para eu ler os livrinhos; depois me levava até a varanda, mostrava as plantinhas. Descobriu que eu e ela tínhamos nariz. Pediu para eu cantar o "pintinho amarelinho" (de novo). Me fez brincar de bola. Chorou quando eu disse que não era hora de assitir dvd, mas depois me abraçou.
Levou-me até o banheiro e fez questão de que eu assistisse o seu banho. E não deixou que eu saísse de perto até que ela dormisse. Ai, até esqueci o dia difícil que tive!!! Coisa gostosa é ter bebê saudosa de mamãe (e olha que eu fui pegá-la no colégio e assisti seu almoço).

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Maternidade e vida acadêmica

Pensando no relato da Roberta sobre trabalhar em casa, achei que fosse interessante relatar um pouco da minha experiência como mãe e pesquisadora. Um registro para mim, para Lina e para outras mães que passam por aqui.

Fiquei grávida de Lina no terceiro ano de doutorado, quando estava tudo acertado para um estágio de um mês na França. Nem pensei duas vezes, desmarquei as passagens e fui curtir minha gravidez por aqui. Meu plano inicial era engravidar no último ano de tese, de modo que o bebê nascesse logo depois da defesa. Mas Lina danada veio antes do previsto e eu fui uma doutoranda barriguda e feliz.

Os meses de gravidez coincidiram com o período de redação do material do exame de qualificação. Para quem não sabe, a qualificação é uma preparação para a defesa quando o aluno apresenta a uma banca uma série de monografias e a estrutura da tese a ser desenvolvida. É um dos momentos mais importantes dos quatro anos de doutorado. Eu estava escrevendo ainda a primeira monografia quando descobri a gravidez, logo no comecinho. Uma das primeiras coisas que fiz foi ligar para minha orientadora, avisando que meus planos de viagem tinham mudado e que as coisas teriam que ser diferentes. Ela sugeriu que eu me dedicasse a escrever tudo que pudesse logo, nos primeiros meses, e que eu tentasse me organizar para realizar o exame antes de completar oito meses, pois no caso de parto pré-maturo, a vida acadêmica estaria resolvida. E assim foi.

Eu morria de sono e fugia para a biblioteca da USP porque sabia que em casa passaria muito tempo dormindo, descansando e escreveria menos (afinal de contas eu tinha uma bela desculpa). Assim, ficava na biblioteca até oito ou nove horas da noite muitos dias da semana. Quando não agüentava, pedia para algum colega me acordar depois de uma soneca de 30 minutos com a cabeça enfiada nos livros. Falando assim parece que foi difícil, mas eu escrevia pensando no bebê, no tempo que eu ganharia para ficar com ela quando nascesse se eu me dedicasse naquele momento. E três monografias, memorial de qualificação, estrutura da tese nasceram antes da Lina que venho exatamente com 39 semanas e meia de gestação. Ah, o exame de qualificação foi tranqüilo, acho que a banca se sensibilizou com meu barrigão de 7 meses!

Mas depois que Lina nasceu, muita coisa mudou. Minha orientadora que me tranqüilizava dizendo que eu conseguiria escrever nos primeiros meses porque os bebês dormem muito estava muito enganada. Lina não dormia de dia e dormia muito pouco à noite. A minha batalha com o sono dela daria um post imenso, mas basta saber que eu vivia exausta pelos cantos.

Minha licença-maternidade concedida pela USP foi de 6 meses. Nestes tempo, éramos apenas eu e ela durante todo o dia. Nas horas vagas, eu me angustiava pensando como iria escrever uma tese em meio aquela rotina frenética da maternidade. A solução ainda não foi encontrada, mas a redação anda devagar (e sempre)!

Preciso aprender a escrever com ela em casa, assim economizarei tempo de deslocamento (até porque a pesquisa em si está praticamente finalizada). Mas não tem sido muito fácil. Mesmo ela estando com uma babá, eu checo constantemente se as coisas estão andando do jeito certo. Ela muitas vezes me cobra presença. Entrar na escolinha tem feito ela passar por uma virose atrás da outra, e, nestas horas, meu coração de mãe acha por bem ficar por perto, dando colo e carinho a todo instante.

E assim a redação da tese tem caminhado. Entre livros, revistas, teses, pdfs, fraldas, banhos, carinhos e beijinhos roubados. A maternidade me fez sentir mais produtiva. Hora da tese é hora da tese. Claro que meus cronogramas todos têm atrasado, meus capítulos ainda não se fecharam e frequentemente me bate uma angústia danada. Mas acho que faz parte de qualquer mãe moderna com vida profissional ativa e filhos pequenos.

terça-feira, 30 de março de 2010

Eu quero colo, mamãe!

Lina anda tão manhosa. Pede colo, choraminga, quer minha atenção o tempo todo. Desconfio que seja a sequência de virose que enfrentou (enfrentamos) nas últimas semanas. Primeiro uma gripinha, depois a maldita virose que vem assolando os pequenos (e adultos) com vômito, diarréia, mal estar no corpo, e agora um nariz começou a escorrer. Na escola, em conversa com a professora, ela sugere que seja a troca de babás que a deixa insegura e exigindo mais a presença da mãe. Eu fiz esta "adaptação" também, fiquei trabalhando em casa, adiando as idas às bibliotecas para não deixá-la logo nas mãos da nova ajudante. Talvez ela sinta falta dos dias em que fiquei cuidando dela sozinha. Mas ela parece gostar e confiar na nova moça que se demonstrou bem carinhosa, brincalhona e atenciosa.
Tem também o fato de que todos os molares resolveram sair de uma vez só. Uma loucura! Eu olho a boca dela e lá estão dentes despontando, rasgando, pra fora e gengivas inchadas. Dá dó. imagino a dor de cabeça e o mal estar.
Pode também ser uma fase que ela queira mais atenção e já sabe como exigir isso. Agora faz chorinho, ergue os braços, abre o bocão. Pede carinho também.
E pode ser isso tudo junto. Ou pode ser nada disso. Filhos não chegam com um manual de instrução. Entender os sinais, juntar os fatos, ter paciência são as únicas ferramentas para enfrentar cada desafio.
Legenda da foto - Lina com 3 meses no Parque Burle Marx

terça-feira, 23 de março de 2010

Clichê do tempo

Selecionei um monte de foto da Lina para imprimir. Fotos de quando ela tinha 6, 7 e outros meses de vida. Como ela era pequena, meu Deus! Quanta coisa passamos juntas...
Só lembrei do velho clichê de que o tempo voa. Ela já é uma mocinha que anda, cheia de dentes na boca que pede comida, dança e adora carinho. Daqui a pouco vai querer uma bicicleta, depois viajar com o namorado, depois estudar fora... deixa eu voltar para a tese!

domingo, 21 de março de 2010

Depois que virei mãe...

... nunca mais consegui ver um pombo ou um cachorro na rua sem me lembrar da Lina (apontando com o dedinho, feliz da vida);
.... faço supermercado pelo menos três vezes por semana para ter sempre frutas e verduras fresquinhas para ela;
... sinto falta de sair para beber, comer, passear sem pensar se ela está bem, se sente minha falta, se comeu tudo, se dormiu, se chorou;
... entendo melhor minha mãe, seus sentimentos e ações;
... amo mais ainda o pai da Lina por ver que lindo pai ele se tornou;
... desejo o melhor de tudo para ela.
Legenda: Lina de Branca de Neve no parquinho do colégio

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Esconde-esconde de mamãe

No processo de adaptação da Lina à escolinha, a mocinha se deu tão bem que em poucos dias me pediram para não ficar na sala com ela, nem sob seu espaço de visão direta. Hoje, fui convidada a ficar esperando no corredor, deveria aparecer caso alguma coisa acontecesse. Levei um livro e fiquei lendo, ansiosa por saber como ela reagiria. Às vezes, arriscava uma espiadinha na sala, na brinquedoteca, no galpão das artes. Quando as crianças passavam de um ambiente para o outro, mamãe aparecia, mamãe desaparecia. Ela às vezes dava um tchauzinho... e eu morrendo de saudades!
No meio da manhã, a coordenadora pedagógica me chamou e avisou de que o processo estava indo tão bem que a amanhã eu estaria convidada a passear pelos arredores da escola. Que fosse tomar um café na padaria próxima ou fizesse as unhas. Segundo ela, Lina demonstrou-se bem tranquila com o processo apesar deste ter ocorrido com um hiato pela viagem de férias. E conversamos ainda sobre a decisão de ter matriculado ela ainda tão novinha (1 ano exatamente). Sai mais tranquila, mas com o coração não menos apertado de saudades.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Voltar sempre é difícil...

Estávamos fora de casa há 12 dias e eu estava morrendo de saudades do meu cantinho. Mas voltei ontem tão desolée, pensando no tanto de coisa que tinha para resolver e eu não sabia nem por onde começar. Queria mais um pouquinho de tantas horas com a Lina, de noites bem dormidas, de farras na praia, de vovó da Lina ajudando toda hora. Mas, enfim, chegamos.
E voltamos com adaptação na escolinha (de novo) pq decidi trocar o horário dela para o período da manhã. Supermercado por fazer, malas por desarrumar, só faltava agora encarar a redação da tese. Dura redação nossa de cada dia.
Quando começo a pegar no tranco novamente, quase no fim do dia, recebo duas notícias importantes. A primeira é a (provável) saída da babá da Lina. A moça recebeu um convite para trabalhar como nanny nos EUA e veio me avisar com antecedência. Logo agora que Lina estava super apegada. Vai fazer falta, mas o pior eh começar tudo de novo. Entrevistar, ensinar a rotina, confiar... nossa, como eu detesto isto! A segunda notícia foi a aprovação de um artigo meu numa revista acadêmica de grande relevância. Escrevi no turbilhão da gravidez, enviei e só agora recebi resposta. Eu já nem lembrava mais. Fiquei bem feliz. E agora sim sei por onde recomeçar os trabalhos acadêmicos. Tenho que correr para adiantar o que for possível até a saída definitiva da antiga babá e a contratação de uma nova. Torçam por mim!