domingo, 16 de maio de 2010
O dia em que a papinha pronta venceu
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Mamãe dodói
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Dicionário
terça-feira, 4 de maio de 2010
Salvou meu dia
Bonequinha de corda
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Alívio dos nossos dias
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Lina artista
sexta-feira, 9 de abril de 2010
A menina e o porco
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Maternidade e vida acadêmica

Pensando no relato da Roberta sobre trabalhar em casa, achei que fosse interessante relatar um pouco da minha experiência como mãe e pesquisadora. Um registro para mim, para Lina e para outras mães que passam por aqui.
Fiquei grávida de Lina no terceiro ano de doutorado, quando estava tudo acertado para um estágio de um mês na França. Nem pensei duas vezes, desmarquei as passagens e fui curtir minha gravidez por aqui. Meu plano inicial era engravidar no último ano de tese, de modo que o bebê nascesse logo depois da defesa. Mas Lina danada veio antes do previsto e eu fui uma doutoranda barriguda e feliz.
Os meses de gravidez coincidiram com o período de redação do material do exame de qualificação. Para quem não sabe, a qualificação é uma preparação para a defesa quando o aluno apresenta a uma banca uma série de monografias e a estrutura da tese a ser desenvolvida. É um dos momentos mais importantes dos quatro anos de doutorado. Eu estava escrevendo ainda a primeira monografia quando descobri a gravidez, logo no comecinho. Uma das primeiras coisas que fiz foi ligar para minha orientadora, avisando que meus planos de viagem tinham mudado e que as coisas teriam que ser diferentes. Ela sugeriu que eu me dedicasse a escrever tudo que pudesse logo, nos primeiros meses, e que eu tentasse me organizar para realizar o exame antes de completar oito meses, pois no caso de parto pré-maturo, a vida acadêmica estaria resolvida. E assim foi.
Eu morria de sono e fugia para a biblioteca da USP porque sabia que em casa passaria muito tempo dormindo, descansando e escreveria menos (afinal de contas eu tinha uma bela desculpa). Assim, ficava na biblioteca até oito ou nove horas da noite muitos dias da semana. Quando não agüentava, pedia para algum colega me acordar depois de uma soneca de 30 minutos com a cabeça enfiada nos livros. Falando assim parece que foi difícil, mas eu escrevia pensando no bebê, no tempo que eu ganharia para ficar com ela quando nascesse se eu me dedicasse naquele momento. E três monografias, memorial de qualificação, estrutura da tese nasceram antes da Lina que venho exatamente com 39 semanas e meia de gestação. Ah, o exame de qualificação foi tranqüilo, acho que a banca se sensibilizou com meu barrigão de 7 meses!
Mas depois que Lina nasceu, muita coisa mudou. Minha orientadora que me tranqüilizava dizendo que eu conseguiria escrever nos primeiros meses porque os bebês dormem muito estava muito enganada. Lina não dormia de dia e dormia muito pouco à noite. A minha batalha com o sono dela daria um post imenso, mas basta saber que eu vivia exausta pelos cantos.
Minha licença-maternidade concedida pela USP foi de 6 meses. Nestes tempo, éramos apenas eu e ela durante todo o dia. Nas horas vagas, eu me angustiava pensando como iria escrever uma tese em meio aquela rotina frenética da maternidade. A solução ainda não foi encontrada, mas a redação anda devagar (e sempre)!
Preciso aprender a escrever com ela em casa, assim economizarei tempo de deslocamento (até porque a pesquisa em si está praticamente finalizada). Mas não tem sido muito fácil. Mesmo ela estando com uma babá, eu checo constantemente se as coisas estão andando do jeito certo. Ela muitas vezes me cobra presença. Entrar na escolinha tem feito ela passar por uma virose atrás da outra, e, nestas horas, meu coração de mãe acha por bem ficar por perto, dando colo e carinho a todo instante.
E assim a redação da tese tem caminhado. Entre livros, revistas, teses, pdfs, fraldas, banhos, carinhos e beijinhos roubados. A maternidade me fez sentir mais produtiva. Hora da tese é hora da tese. Claro que meus cronogramas todos têm atrasado, meus capítulos ainda não se fecharam e frequentemente me bate uma angústia danada. Mas acho que faz parte de qualquer mãe moderna com vida profissional ativa e filhos pequenos.
